Visto como um sonho ainda muito distante, os veículos elétricos começam a ganhar espaço no mercado e na cabeça do consumidor por terem custo operacional até 80% menor do que carros movidos por combustão

O consumidor brasileiro está cada vez mais propenso a ter um carro elétrico. É o que aponta uma análise digital da Similarweb, empresa de inteligência de mercado global, que mostra que, apesar dos preços mais altos, as buscas orgânicas por “carro elétrico” e palavras-chave similares cresceram nos últimos dois anos, alcançando pico de procura pelo termo nos últimos meses de 2021, enquanto o Senado discutia a superação de obstáculos legais e tributários para uma expansão do mercado de veículos elétricos no Brasil.

De acordo com outra pesquisa, feita pelo Itaú Unibanco no início do ano, 62% dos brasileiros preferem veículos elétricos e 50% planejam adquirir um no futuro próximo. Hoje já são cerca de cinco mil veículos 100% elétricos em circulação no Brasil,

A explicação para o crescimento, além da questão da sustentabilidade, engloba uma necessidade frequente: a constante alta dos combustíveis e o preço da gasolina que, hoje, chega a custar em média, R$8,40 por litro, no país. A escalada nos preços somada a uma discussão mais robusta do assunto faz com que o consumidor comece a pensar que realmente o carro elétrico pode vir a ser uma possibilidade não tão remota.

Fonte: Similarweb Pro

O aumento de intenção e de compras efetivadas é corroborada por dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). Segundo a entidade, o mercado de veículos eletrificados no Brasil iniciou 2022 em ritmo forte, com 9.844 emplacamentos no primeiro trimestre- recordes para esses meses na série histórica, em 10 anos, uma alta de 115% no número de veículos negociados no mesmo período do ano passado. Além disso, projeções indicam que o número de automóveis e comerciais leves eletrificados no país deve passar a marca de 100 mil unidades no segundo semestre do ano (hoje essa frota é composta por pouco mais de 82 mil veículos).

Esse movimento é impulsionado pela indústria automotiva no mundo todo, que pretende avançar com o número de veículos elétricos nas rodovias até 2030. Jac Motors, Volvo, Mercedes já estão no páreo, recentemente a Ford e a Volkswagen anunciaram uma parceria para entrar neste mercado. O Grupo Stellantis, dono das marcas Fiat, Jeep, Citroën e Peugeot, tem previsto sete lançamentos de carros híbridos e elétricos até 2025 na região e espera que 20% de suas vendas na América do Sul e Brasil sejam de modelos eletrificados até 2030. Também neste mês de abril, em parceria, Honda e General Motors divulgaram que estão trabalhando no desenvolvimento de uma nova família de veículos elétricos acessíveis.

Incentivos e preços

A ideia de ter um carro elétrico fica mais próxima também por conta da movimentação política. Recentemente, o Senado aprovou a criação da Frente Parlamentar Mista pela Eletromobilidade. O PRS (Projeto de Resolução) 64/2021, criado pelo senador Rodrigo Cunha tem o intuito de discutir iniciativas para o incentivo do uso de carros elétricos no Brasil.

O avanço no Congresso pode ajudar na redução de custos e aproximar o brasileiro ainda mais de um futuro elétrico. Atualmente, os valores de veículos eletrificados e híbridos ultrapassam os R$ 150 mil no Brasil. Por outro lado, os custos de propriedade e manutenção são bem mais baixos em modelos elétricos. Afinal, não há óleo para ser trocado ou velas, bobinas, bicos injetores e centenas de outras peças móveis que se desgastam e quebram com o tempo.

O JAC E-JS1, mais barato do tipo no Brasil, custa de R$ 164.900. A Jac Motors, inclusive, quer quebrar essa associação de preço alto com o 1º carro 100% elétrico que custa o mesmo que seus concorrentes movidos a combustíveis fósseis.

Segundo Juliana Junkes, diretora de vendas da Similaweb, tem sido interessante notar como os tópicos de interesse do consumidor têm evoluído acerca do tema. “Temos observado um maior crescimento de buscas sobre especialmente o abastecimento de carros elétricos e, claro, preço”, destaca.

Fonte: Similarweb Pro

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